Affichage des articles dont le libellé est Mario Quintana. Afficher tous les articles
Affichage des articles dont le libellé est Mario Quintana. Afficher tous les articles

Mario Quintana


Para marcar os 20 anos da morte do gaúcho Mario Quintana, completados em 5 de maio, a Batuta selecionou 14 poemas lidos por ele mesmo para o disco "Antologia poética de Mario Quintana".

Escolha abaixo o que quer ouvir ou clique no primeiro e ouça todos em sequência.





Au long des fenêtres mortes

Au long des fenêtres mortes

Au long des fenêtres mortes
Ma foulée bat les pavés.
Quel étrange martèlement !... Serait-ce
Que j'ai une jambe de bois?
Ah, que cette vie est machinal!
Je suis éreinté par la gravitation des astres!
J'ai envie de tuer cet horrible poème!
Je vais alerter la police, appeler les anges, Notre
Seigneur, les putes, les morts!
Venez voir ma déchéance,
Ma soif insatiable, de je ne sais pas quoi,
Mes rides.
Succombez, étoiles de fable,
Fausse lune de papier carton,
Manteau enjolivé du ciel!
Succombez, j'ai abrité avec votre sainte nullité
Cette carcasse de songe misérable.

Traduction: Fernando Oliveira,
d’après l’original (Ao longo das janelas mortas)
de Mario Quintana.

Frases de Mário Quintana


Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.

Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.

O que os poetas escrevem agrada ao espírito, embeleza a cútis e prolonga a existência.

Por vezes, quando estou escrevendo estes cadernos, tenho um medo idiota de que saiam póstumos. Mas haverá coisa escrita que não seja póstuma? Tudo que sai impresso é epitáfio.

Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.

O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.
 
Source : Movimento Cultural de Literatura e Arte do Brasil

X

Eu faço versos como os saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, Amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta dos meus dedos brancos!

"Meu Deus! Mas tu não mudas o programa!"
Protesta a clara voz das Bem-Amadas.
"Que tédio!" o coro dos Amigos clama.

"Mas que vos dar de novo e imprevisto?"
Digo...e retorço as pobres mãos cansadas:
"Eu sei chorar...Eu sei sofrer...Só isto!"

Mario Quintana
In: "A rua dos cataventos"

XVII

XVII

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Mario Quintana
In: "A rua dos cataventos"

Obsessão do mar oceano

Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome

Mario Quintana
In:"O aprendiz de feiticeiro"

Emergência

Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.


Mario Quintana


Viver

Viver

Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar... Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar...
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!

Mario Quintana
In:"Baú de espantos"