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Rosai por Nós

Nossa Senhora da Flor Roxa
Rosai por nós
Assim na vida
Como no chão
A primavera de cada ano
Nos dai hoje
Encantai nosso jardim
Assim como encantamos
O do vizinho
E não nos deixeis cair na tentação
De esquecer tuas flores

Sonho do Poeta

Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino
Mas vem o vento e leva
as palavras que digo minha canção de amigo. Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.
Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu, antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.

Renga de estrelas

estrelas, planctons
quem imita quem
vagalume?

estrela cadente
te peço
não seja um vagalume

noite de estrelas
cidade ao longe
quem brilha mais?

a noite desce
o coração da terra
germina estrelas

longo-longo dia
até as estrelas
parecem cansadas

céu do norte
leitoso de estrelas
um sol na terra

Alice Ruiz

Ainda te sinto

ainda te sinto
em tudo que permanece
como se tua pressa
de vida que se extingue
ficasse um pouco em tudo
ainda

Alice Ruiz

Que o breve

Que o breve seja de
um longo pensar
Que o longo seja de
um curto sentir
Que tudo seja leve de
tal forma que o tempo nunca leve

Alice Ruiz

Agua viva Agua vulva

Que ton corps soit braise
que ton corps soit braise
et le mien la maison
que se consume au feu

un incendie suffit
pour consommer ce jeu
un bûcher arrive
pour que je joue de nouveau

Gouttes
gouttes
tombent en coups
la terre hume
en grandes gorgées

pluie
que la peau n’essuie pas
larme
à chemin d’un ride

eau vive
eau vulve


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Que teu corpo seja brasa
teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

Gotas
gotas
caem em golpes
a terra sorve
em grandes goles

chuva
que a pele não enxuga
lágrima
a caminho de uma ruga

água viva
água vulva

(Da antologia bilingüe “Poésie du Brésil”, seleção de Lourdes Sarmento, edição Vericuetos, como nº 13 da revista literária francesa “Chemins Scabreux”, Paris, setembro de 1997. Traduções de Lucilo Varejão, Maria Nilda Miranda Pessoa e outros.)