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Quand la lumière s'efface

Quand la lumière s'efface
Presque complètement
Quand les lumières respirent encore
Quand les drapeaux s'inclinent
Quand les hommes se taisent
Quand l’esprit se meut lentement dans le silence
Quand la mer et le soleil se conjuguent dans la nuit
A travers les ombres qui respirent
Quand la lumière efface en toi
La dernière lueur du jour
Et que tu entres dans le silence de la nuit
Avec le soleil sous les eaux
Dans le silence de la nuit.

Antonio Ramos Rosa

Não posso adiar o amor


Não posso adiar o amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

Estou vivo e escrevo sol


Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol
Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no ato de escrever e sol
A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objetos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida
Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maraviha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde


Antonio Ramos Rosa,
de Estou Vivo E Escrevo Sol

1966

A la table du vent

Vivre c'est naviguer entre sens et non-sens
et gagner un sens dans le vent comme si nous étions son pouls
ou un pont de verdure oscillant entre deux collines
Mais être vivant c'est perdre ses propres pas
ou avancer vers ce que nous ne savons pas
ou ne savons que trop et voulons ignorer
Qui sait peut-être cheminons-nous vers le commencement
ou alors vers quelque possible indépassable


[…]

Nous savons que nous perdons mais nous ne savons pas quoi
et nous vivons dans la perte et peut-être de la perte
C'est en elle que la proue du poème avance
en inventant sa confiance audacieuse
en la saveur du vent qui nous dénude et nous remue

In « A la table du vent »